Os trailers de ficção científica já tem seu público cativo quando existe a ideia de que poderemos viver num mundo repleto de tecnologias e anos distantes daqui. Agora unir este atributo com intensa adrenalina e fuga, torna-se um prato e bastante saboroso. Por essas características, o diretor Tommy Wirkola (de ‘João e Maria: Caçadores de Bruxas’) acerta na dose com o futurístico ‘Onde Está Segunda’?’, disponível na Netflix.
A história é a seguinte: num futuro não muito distante, a bióloga Nicolette Cyman (Glenn Close), implantou um projeto onde todos os casais só podem ter um filho, no qual a justificativa é reduzir a população do Planeta Terra, que, está em defasagem. Assim, seria possível “estacionar” a humanidade e controlar alimentação, saúde e segurança pública. Para as mulheres que tiveram mais de um filho, há a promessa de que essas crianças hibernariam e voltariam anos mais tarde. No entanto, uma mulher tem sete filhas gêmeas e morre no parto, deixando a tarefa para o avô das crianças, Terrence (Willem Dafoe), a missão de esconder as sete meninas.
Para isso, ele arquitetou um apartamento onde elas viveriam escondidas, e cada uma sairia apenas um dia da semana para trabalhar, estudar e se divertir. Durante 30 anos, elas se identificaram com os seus dias respectivos, mas numa determinada data, Segunda-Feira (Monday) desaparece e as irmãs se unem para poder salvá-la, mesmo sem saber onde está e por qual motivo sumiu.
A partir daí, o filme ganha vida e traz muitos tiros, brigas, lutas e por aí vai. ‘Onde Está Segunda?’ não dispensa sangue, nada parecido com a La Tarantino, mas vai deixar a tela recheada de vermelho. A fotografia de um mundo futurista e apocalíptico mostra o declínio e a longevidade do Planeta Terra: horas por prédios sujos e decadentes, como no caso onde mora nossas protagonistas, como uma agência límpida e completa de tecnologias modernas.
A história lembra superficialmente a série Orphan Black pela ótima interpretação da atriz Tatiana Maslany, ao representar diversos clones idênticos e tão diferentes. Aqui a semelhança em talento se iguala. A sueca Noomi Rapace (‘Alien Convenant’) entrega com perfeição sete distintas convivendo lado a lado. Noomi participa de praticamente todas as cenas do filme, que chega a duas horas de duração.
A trama leva do futuro à conexão da realidade mundial: a superpopulação. Infelizmente, o roteiro deixa a desejar em diversos pontos. No final, ficam perceptíveis várias dúvidas sobre os motivos dos quais levaram o desaparecimento de Segunda, e por que o avô interpretado por Willem Dafoe some em tão pouco tempo. No entanto, a grandiosidade deste filme da Netflix supre a carência da história. Quem gosta de todas essas características das quais eu falei, provavelmente vai apreciar. Eu gostei.