Quem é fã do estilo de direção de Steven Soderbergh possui um gosto refinado por cinema, e não digo isso para afirmar que seus filmes são obrigatoriamente agradáveis ou que possam ser considerados obras de arte. Pelo contrário, para se assistir a um filme do Soderbergh, o espectador deve estar ciente do estilo próprio e “inovador” do diretor, pois estes possuem suas próprias características de desenvolvimento e produção que não agradam a todos e, muitas vezes, podem fazer com que algumas pessoas assistam aos filmes e ao final deles digam que perderam tempo – se conseguirem chegar ao fim.
A trilha sonora suave de progressões em momentos de tensão, o desenvolvimento da história e o desenrolar do roteiro presente nos filmes de S. Soderbergh são praticamente únicos dele, podendo lembrar um pouco o estilo de direção do diretor Danny Boyle (Extermínio, Quem Quer Ser Um Milionário? e Sunshine). Enfim, não são filmes que agradam a gregos e troianos. Para quem está acostumado com seus trabalhos, irá notar as tramas inteligentes e intrigantes que, contudo, não possuem ação e contem seus clímax basicamente em torno de diálogos complexos e reviravoltas que fazem o verdadeiro fã de carteirinha desses filmes (como eu) ficar de boca aberta.
Pra quem conhece e entende o ponto de vista de Soderbergh com certeza se surpreende com novas perspectivas das tramas dele. Terapia de Risco foi um de seus melhores desde "O Segredo de Berlim" e o mais atual "A Toda Prova". Contando com elenco de primeira classe formado por Jude Law, Catherine Zeta-Jones e Channing Tatum, o filme aborda um tema superinteressante envolvendo climas de tensão, temáticas científicas e de constantes crises psicológicas que fazem dele um filme que, mesmo sem ação, prende o espectador fazendo-o se envolver com a trama e o desenrolar da história de uma maneira intensa. Os diálogos são bem executados, o tema foi muito bem abordado, a trilha sonora se encaixou muito bem ao “estilo Soderbergh” e ao filme em si.
O início do filme já aguça a curiosidade do espectador com a cena inicial do apartamento ensanguentado – detalhe: eu adoro sanguinolência nos filmes. A atuação da protagonista já de início impressiona, mas o destaque com certeza é o personagem do Jude Law que nos mostra uma excelente atuação, alem de seu ótimo sotaque britânico que destaca sua voz. A partir de quando a história central do filme começa a desenvolver, o talento do diretor equipado com um script altamente competente e com o elenco de categoria, aditiva a trama e potencializa o suspense e os conflitos psicológicos que não deixam a gente respirar. Alem de contar com tudo isso, Side Effects ainda nos proporciona cenas que surpreendem e nos mostram acontecimentos inesperados, alem de um final competente e repleto de reviravoltas que concluem a obra de uma maneira completamente satisfatória ao estilo “finais felizes para aqueles que merecem”.
Um ótimo filme que aborda um tema inteligente com climas intensos de conflitos psicológicos e com um desenvolvimento e conclusões surpreendentes, porem, devido a suas inúmeras reviravoltas, não é o tipo de filme para ser re-assistido. O melhor filme de Steven Soderbergh!