Em meio a crises econômicas e guerras os americanos vivem atualmente um momento de recuperação. O presidente Obama veio como um salvador, mas infelizmente não conseguiu atingir seus objetivos. Além de uma conjuntura sócio econômica instável e guerras arrastadas, em um mundo globalizado, a concorrência voraz de uma economia como a China, país com uma mão de obra barata, acaba por entrar no mercado americano e causar mais desemprego em um país que precisa de emprego para que a população volte a consumir e assim as indústrias e empresas tentarem se recuperar. Em Tudo por Justiça esses temas são abordados, porém se perde ao ser contada através de um filme que não consegue fugir do clichê e nem possuir uma definição mais concreta do que veio falar.
Russel (Christian Bale) vive em uma cidade americana pequena que tem como possibilidade de emprego uma siderúrgica. Seu pai já trabalhou lá, agora é sua vez. Divide o seu dia a dia entre o trabalho, visitar o pai que está muito doente, sua namorada Lena (Zoe Saldana) e tomar conta de seu irmão Rodney (Casey Affleck) que voltou recentemente da guerra do Iraque. Seu tio o ajuda com seu pai. Acontecimentos em sua vida farão essa rotina terminar.
O filme conta com um elenco cheio de nomes importantes. Estão no elenco Christian Bale, Woody Harrelson, Casey Affleck, Forest Whitaker, Willem Dafoe, Zoe Saldana e Sam Shepard. Com exceção de Woody Harrelson, cada um defende seu personagem de maneira justa, mas o destaque maior é para Casey Affleck que além de ser mais exigido, consegue desempenhar a alienação pós guerra. Seu rosto mostra um Rodney sempre tenso, tentando se encaixar novamente em uma sociedade. Consegue transmitir o quanto está desconfortável em sua vida pós guerra. Tentando achar um caminho que condiz com sua natureza violenta. Em uma sociedade onde a lei prevalece (ou não) sua busca será o contrário. O retrocesso para um estado de barbárie irá prevalecer até conseguir uma auto destruição. Enquanto Casey Affleck consegue desenvolver bem seu personagem, o único ponto fora da curva eu diria que é Woody Harrelson por interpretar um personagem que já estamos cansados de assistir. A escolha dele para interpretar DeGroat acaba por ser uma decisão errada, pois ele acaba por ser um estereótipo de si mesmo.
Os temas abordados são interessantes e contemporâneos, apesar de alguns já serem abordados em outros filmes. Através de noticiários da TV em nosso dia-a-dia assistimos a jovens despreparados que foram para uma guerra muitas vezes contestada pela própria sociedade americana. A guerra do Iraque devolveu homens que estão à margem da sociedade. O estado violento e alienado de muitos que voltaram só corroboram para que eles não se encaixem mais na sociedade, porém ao invés de conduzir o filme para uma crítica a guerra, ele engata uma ideia oposta a inicial, pois quando o homem tende a querer fazer justiça pelas próprias mãos chega-se à conclusão que o Estado fracassou. Se considerarmos as invasões americanas em países como Iraque e Afeganistão como intervenções que por princípio iriam agir para devolver a legitimidade do Estado, então assim como os EUA intervieram no Iraque em prol de justiça o mesmo se poderia pensar quando alguém resolve intervir para valer sua justiça da mesma forma em que uma guerra faz. Dessa maneira, o desfecho do filme acaba se tornando algo metafórico para dizer que a intervenção militar é necessária em alguns casos. Isso faz com que o filme não se decida em sua linha de pensamento. Assim ora ele vem para criticar a guerra (a intervenção americana no Iraque) ora ele se manifesta a favor. O filme não fala só sobre guerra, o presidente Obama também é criticado de forma levemente irônica e o desemprego é abordado através do apetite voraz da indústria chinesa que consegue derrubar qualquer concorrência.
O diretor Scott Cooper tem um tema interessante, mas comete erros ao desenvolvê-lo através de uma câmera que filma com olhos já conhecidos. O design de produção com a cidade proletária que as pessoas se dividem em casa-trabalho-bar-casa se torna um grande clichê. Cenas como a de DeGroat chupando um pirulito chega a ser ridícula e até mesmo o roteiro parece chegar a essa conclusão, pois além do roteiro querer explicar o obvio, Rodney fala: "devo ter medo por ele chupar um pirulito?". Cria situações absurdas quando a Swat vai invadir uma casa e filma essa cena igual a cena filmada no filme "O silêncio dos inocentes". A cena é tão conhecida que acaba por não propagar nenhuma tensão. No início, com a câmera na mão, faz o uso de balançar levemente a câmera injustificavelmente. Além de utilizar o recurso "câmera na mão" para um filme que está longe de ser um documento. Há cenas que utiliza um fade out entre uma e outra, mas ao mesmo tempo que ele evoca uma passagem de tempo ela demonstra também o contrário. Por fim ele termina o filme com uma cena a mais que além de dispensável é sem explicação.
Há cenas que são bem filmadas como em uma montagem alternada em que vemos os dois irmãos em uma cena que tem o mesmo sentido. Uma foto também retrata uma recordação e isso ratifica a cena seguinte onde a foto foi tirada. Assim como a foto o que foi deixado para trás passa a ser apenas um retrato. É interessante a abordagem do acaso da vida, pois um acontecimento no início do filme aparece do nada (como o acaso). É como um impacto inesperado em nossa vida e isso muda a vida de Russell. Uma simples raspar na parede de casa nos traz à lembrança de um recomeço. Através de algumas metáforas visuais o diretor acerta ao contar de uma boa maneira alguns desenvolvimentos através das cenas.
Um filme com um bom tema que alterna bons momentos com maus e acaba por ser uma experiência não tão interessante.