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Marcio S.
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5,0
Enviada em 11 de junho de 2015
O HOMEM MAIS PROCURADO
Há pouco tempo conversava com um casal conhecido sobre a onda de terrorismo na França no início de ano. O debate foi em cima das ações dos que são chamados de terroristas, a maneira que eles tem para lutar, como os países grandes fazem maldades e invadem países (e fazem mais maldades) mais por um (velado) interesse de caráter econômico do que por um sentimento de justiça. Por coincidência assisti O Homem Mais Procurado logo após essa conversa. Ele me fez chegar à conclusões pessimistas. Não há solução para esses conflitos. Ambos os lados se justificam e fazem maldades sempre achando que estão se defendendo. É como o cachorro que corre atrás do rabo. Só por causa disso o filme já é interessante. Soma-se ainda aos atores, o diretor, o roteiro adaptado e outros recursos cinematográficos e assim temos um filme sério e inteligente que vale a pena assistir. O filme se passa na Alemanha e se inicia falando que o comando do ataque de 11/09 aos EUA partiu de terroristas que estavam nesse país. Para se combater o terrorismo e fazer algo que a lei não permite existem organizações que atuam nos bastidores para impedir que células terroristas propaguem o terror. Gunther Bachmann (Philip Seymour Hoffman) lidera um time que é incumbido dessa missão. Quando um refugiado checheno islâmico, com um histórico de violência na família entra na Alemanha clandestinamente e uma advogada ativista resolve ajuda-lo no país, Gunther e sua equipe irão tentar desvendar um esquema de desvio de dinheiro para financiamento terrorista. O filme é um roteiro adaptado (ficcional, mas que parece ser tão real) por Andrew Bovell do livro do famoso escritor John le Carre. Ele é famoso por ter uma narrativa em que seus protagonistas são uma espécie de James Bond às avessas. Seus personagens resolvem os problemas sem dar nenhum tiro. Suas ações e palavras são muito mais enfáticas do que outro tipo de ação. Só assim ele já passa um recado: poderíamos resolver alguns conflitos apenas com palavras, onde a arma e a violência extrema deve ser usada em último caso. O roteiro constrói a narrativa pausadamente sem pressa como por exemplo foi a adaptação do livro do mesmo autor O Espião Que Sabia Demais. Mas esse filme me fez pensar mesmo foi no filme Syriana. Ao chegar no final do filme percebi que primeiro não existe nenhum mocinho nos países como EUA, Alemanha, Russia etc. E que devemos esquecer qualquer senso de justiça no mundo. Quando tiver que ser feito, aqueles que MANDAM no mundo irão passar qualquer limite para chegar onde querem. Isso inclui torturas, morte de pessoas inocentes, traições e outras coisas ilícitas. Por sua vez quem recebe essas maldades se veem no direito de revidar e então a solução é que nunca teremos uma solução. O filme tem uma narrativa tão séria que os atores estão tão focados que conseguem desempenhos excelentes. Dessa maneira a saudade que Philip Seymour Hoffman nos provoca é imensa. Ele era um excelente ator. Tinha uma sensibilidade extrema. Sua atuação é impecável. A composição de seu personagem é de um ser humano que dificilmente irá altear sua voz e por isso parece que nunca vai perder o controle. Sua vida solitária e seu passado que parece não ter ido embora totalmente só corroboraram para uma degeneração física e emocional. Seu olhar parece cansado e cínico em relação a seu trabalho. A cena em que ele diz o porquê faz o que faz é de um cinismo vibrante. O diretor ainda adota uma câmera que parece tensa e ao mesmo tempo se integra ao mundo dos personagens. As ações dos personagens, de sempre estarem na espreita, escondidos das pessoas se refletem nas posições da câmera. É como se ela pertencesse ao mundo da espionagem. Ela fica meio que escondida e nos conta a história meio que detrás de uma mesa ou do outro lado da rua ou de dentro de um carro. Anton Corbijn filma com uma sutileza enorme. Quando um determinado personagem entra em cena ele consegue através de um movimento de câmera mais tenso do que ele adota, estabelecer que aquele será o grande perigo para o sucesso da missão. Sempre quando ele aparece o diretor estabelece a dicotomia entre o protagonista e ele colocando eles sempre de maneira antagônica. Um filme que é uma despedida a altura de um ator que era diferencial em seus filmes. Um filme que respira essa realidade dura que vivemos atualmente. Onde não há mocinhos nem bandidos. Só seres humanos que querem sempre dar um passo na frente do outro. Se precavendo do que possa ocorrer. Assim esperam vencer um inimigo que nunca será morto e que dificilmente assistiremos algum vencedor.
Filme ótimo, com atuações excelentes. Só a presença do inesquecível Philip Seymour Hoffman já vale a pena! A questão central do filme é: vale tudo para tornar o mundo mais seguro?
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