Uma boa ficção científica que se preza tem uma trama que se passa ou num mundo apocalíptico ou num mundo pós-apocalíptico, com um grande – e obstinado – heroi e um vilão de pretensões obscuras e egocêntricas/megalomaníacas. O caso de “Círculo de Fogo”, dirigido e co-escrito pelo mexicano Guillermo del Toro, se aplica bem à primeira situação, na medida em que a Terra nos é apresentada como um planeta cujos recursos e vidas humanas estão sendo consumidos por uma guerra que já dura bastante tempo e que não tem perspectiva próxima de fim.
De um lado, temos os Kaijus, criaturas monstruosas que habitam o fundo do mar e que possuem o objetivo de dizimar o planeta Terra. De outro, temos os Jaegers, que são um tipo especial de arma criado pelos militares e que possuem o propósito de lutar de igual para igual contra os Kaijus, sendo, assim, a força de resistência da Terra frente aos seus inimigos. Os Jaegers possuem uma característica especial, pois são operados, simultaneamente, por dois pilotos que são unidos por laços de afetividade (alguns são pai e filho, outros são irmãos, e assim por diante) e conectados por meio de uma ponte neural que os liga através das memórias que eles carregam de suas respectivas existências.
Por um bom tempo, os Jaegers conseguiram manter a Terra a salvo dos Kaijus, entretanto, quando “Círculo de Fogo” começa, estamos num momento bem adverso, em que a tecnologia utilizada para a criação dos Jaegers parece não oferecer mais resistência ao poder e à força que os Kaijus possuem. Ou seja, o destino do planeta não é animador. Ameaçados de extinção por uma espécie de grupo que reúne os governantes dos países mais importantes do mundo, os Jaegers ganham uma última chance quando seu comandante – o Marechal Stacker Pentecost (Idris Elba) – decide utilizar um Jaeger analógico – e obsoleto – pilotado por uma dupla formada por um piloto experiente (Charlie Hunnam) e uma cadete que nunca exerceu essa função antes (Rinko Kikuchi, que andava sumida do cinema norte-americano desde o seu trabalho mais conhecido: “Babel”, de Alejandro González-Iñárritu).
Esse é o tipo de premissa que acaba fazendo com que o diretor Guillermo del Toro entregue “Círculo de Fogo” a uma série de clichês do gênero de ficção científica. Se a destruição do planeta Terra pode ser evitada pela mais improvável das duplas, então vamos assistir a um monte de cenas com trilha sonora grandiosa, repleta daqueles momentos de tirar o fôlego (e aqui há de se ressaltar o grande trabalho de efeitos sonoros e visuais realizados neste filme), em que a plateia não pisca o olho e que possuem os sentimentos de esperança, sacrifício e coragem impressos em cada frame. Sim, o ato final de “Círculo de Fogo” lembra um pouco aquilo que assistimos, por exemplo, em filmes como “Armageddon”, porém, não se preocupe: Guillermo del Toro, ainda bem, não é como Michael Bay. Seu “Círculo de Fogo” é um longa eletrizante e que se caracteriza como o melhor filme-pipoca de 2013, até agora.