ROAD MOVIE TRAPALHÃO
por Roberto CunhaSeguir uma receita padrão de pegar um ator consagrado (Robert Downey Jr.), outro em ascensão (Zach Galifianakis), misturar com famosos (Juliette Lewis e Jamie Foxx) e adicionar um rostinho bonito (Michelle Monaghan) é garantia de sucesso? Nem sempre.
Escrito, produzido e dirigido por Todd Phillips, do mega sucesso Se Beber, Não Case! (2009), este novo longa usou os mesmos elementos politicamente incorretos. A diferença, para quem entrar numa de comparar os dois títulos, é que o riso agora não vem tão fácil. Ao contrário, seu parto, às vezes, é mais difícil. Em comum, os filmes têm alguém que precisa chegar em algum lugar e o mesmo ator barbudinho em papel cômico.
Na história, Peter (Downey Jr.) é um cara estressado que está em Atlanta e precisa chegar em Los Angeles para acompanhar o nascimento do primeiro filho. Mas o destino reservou um encontro com Ethan (Galifianakis), aspirante a ator de Hollywood, totalmente maluquete e viciado em maconha, não necessariamente nesta ordem. É quando começa a dar tudo errado, transformando a simples viagem numa verdadeira espiral de acontecimentos insanos.
O nonsense é uma constante. Portanto, prepare-se para ver exageros como portas de veículos arrancadas facilmente, cadeirante bom de briga, cachorro que se masturba, marijuana terapêutica batizada de AK47 ou Aurora Boreal, e até adulto que bate (?!) em criança "capetinha". Embora o roteiro não tenha nada de novo, seu ritmo é crescente e os diálogos têm piadinhas e citações para todos os gostos. Desde os conservadores que vão curtir o momento "Marlon Brando em O Poderoso Chefão", até os moderninhos que podem rir com as citações dos Facebook e Craigslist da vida. Entre os destaques, a homenagem escancarada ao seriado "Two and a Half Men" e uma trilha sonora clássica que reúne pérolas como Neil Young, Eric Clapton e Pink Floyd.
Assim, você pode até rir, ainda mais se tiver num dia bom para isso. Dizer que o longa não tem bons momentos seria uma crueldade. Mas em um deles, por exemplo, até a letra da música "Hey You" (Pink Floyd), traduz perfeitamente que a química entre os dois atores virou refém ("Together we stand, divided we fall") de um personagem estereotipado, fazendo do filme nada mais do que um road movie trapalhão.