Resenha psicologia e educação:
Lançado em 2017 e dirigido pelo também ator Aamir Khan o filme como estrelas na terra, conta a história de um menino chamado Ishaan Awasthi que possui Dislexia um transtorno genético hereditário que se encontra intimamente ligado à linguagem, e que ao entrar em contato com um sistema de ensino diretivo, o trazia dificuldades para o seu desenvolvimento escolar.
Ishaan Awasthi, personagem principal do filme, é um exemplo vivo de como o nosso sistema pedagógico se encontra ultrapassado pois ao invés de integrar pessoas e diminuir a desigualdade no mundo, ele acabou se tornando um mecanismo de ampliação da desigualdade, onde quem tem mais bens aquisitivos, consegue colocar seus filhos em colégios mais bem estruturados e capazes de tornar seus alunos estudantes mais competitivos, para o mundo que vem a esperar isso deles. Cena observada quando Ishaan não consegue se adaptar aos métodos que eram utilizados em sua escola pública, e que por seu pai pensar que o ensino não era bom o suficiente para seu filho futuramente se colocar bem no mercado de trabalho. Decidir então o colocar em um internato particular, para quê deste modo o menino de apenas 9 anos quem sabe possa se tornar mais disciplinado e melhorar seu desenvolvimento escolar.
Indo para o internato é possível perceber, que inicialmente nada muda para o menino pois o que causa suas dificuldades é seu transtorno, que segundo ele fazia que sua percepção o levasse a ver as letras de maneira embaralhada, e por nenhum professor que dava as aulas a ele ter a capacidade, percepção e o conhecimento da dislexia seu processo de aprendizagem convencional continuava pausado, demonstrando como a ideia diretiva continua sendo muito utilizada e como é ultrapassada pois traz o mito da transmissão do conhecimento onde o aluno é visto como uma tábula rasa, recebedora do conteúdo do grande mestre superior "professor detentor do saber" que tem a função de transmitir todo seu saber e obrigando seu aluno a repetir o que foi transmitido de uma maneira onde o aluno ao repetir incessantemente o que é passado a ele tenderia a absorver o conhecimento, pois caso não o faça é considerado um fracasso, pois não consegue atingir os resultados esperados. Estas colocações são vistas quando Ishaan não consegue de maneira nenhuma aprender, e seus professores o castigam, colocam-no de castigo e juntamente com seus colegas o chamam de burro.
Com suas dificuldades e a falta de empatia e conhecimento de seu pai e professores, Ishaan que era uma criança imaginativa criativa e dotada de um grande dom artístico ligado à pintura, por se afastar de sua mãe e sua família que ele tanto amava e se encontrar em um ambiente de poucos amigos e professores autoritários o menino acaba entrando em um processo de extrema tristeza onde nada do mundo exterior conseguia trazer o encanto que ele tanto consegui a observar nos simples detalhes do mundo a sua volta quando estava com a sua família. A partir dessa cena podemos observar com uma ideia da aprendizagem sociocultural desenvolvida por Vigotski é verídica, pois como uma nova estrutura pode se formar se o indivíduo se fecha para o mundo de informações e novidades que estão disponíveis à sua volta? Se o ser humano se fechasse para o meio à sua volta, para as pessoas será que existiria o mundo que dizemos cheio de tecnologias e inovações? Na minha opinião “não” pois somos um sistema em funcionamento, que ao se distanciar do meio e dos seus semelhantes acaba perdendo a oportunidade de aprender com novos universos de possibilidades em desenvolvimento.
No filme foi preciso que um professor de artes substituto chamado Nikumbh, que fazia trabalhos voluntários com pessoas com dificuldades, percebesse a tristeza do seu semelhante, para ir de atrás e investigar o porquê de o aluna não está conseguindo se desenvolver. Ao fazer a descoberta a dislexia do menino, Nikumbh por também ter passado por esta dificuldade na sua infância, se coloca a ir em busca de ajudar o menino, primeiramente tentando explicar a seus pais o porquê da dificuldade de seu filho, e por não ter aceitação do pai do aluno em acreditar que seu filho possuía esse transtorno, posteriormente pedindo para a direção de seu local de trabalho para dar aulas de reforço para o menino. Nikumbh de maneira a explicar ludicamente aquilo que o menino tinha maior dificuldade, consegue fazer com que ele consiga se desenvolver e alcançar os seus colegas nas outras disciplinas onde anteriormente não conseguia desenvolver-se. Com essas cenas conseguimos observar uma simples pedagogia construtivista, onde o professor considera o saber do aluno, cria meios facilitadores, e se coloca a aprender com ele Observo que este método demonstra que ninguém é melhor que ninguém, que o homem que se coloca aprender com o seu semelhante, sem preconceitos, egoísmo e com empatia só tem a ampliar cada vez mais a seu próprio saber.
Ass: Marcos Roberto Zappani.