Divertido encontro com a realidade
por Roberto CunhaUma das missões mais inglórias para Alex, Melman, Marty e Glória é ter que provar sempre que possuem seu valor no mundo da animação toda vez que chegam nos cinemas. E a verdade é que motivos não faltam para pintar esse "tipo de cobrança" por parte de alguns espectadores. Afinal, serão sempre comparados com outros títulos do gênero extremamente bem sucedidos, como algumas das inexoráveis criações da Pixar como a milionária franquia Toy Story iniciada em 1995, Procurando Nemo (2003) e o insuperável Wall-E (2008). Mas a turminha citada mais acima tem lá seu borogodó e prova disso são os US$ 532.6 embolsados por Madagascar (2005) e US$ 603.9 por Madagascar 2 (2008). E em Madagascar 3 - Os Procurados o público vai poder comprovar mais uma vez essa verdade.
Dirigido a seis mãos (Eric Darnell, Tom McGrath e Conrad Vernon), a nova aventura traz os inseparáveis amigos doidos para voltar para Nova York, no seu zoológico de estimação, mas esse caminho de volta continua tortuoso desde o filme anterior quando eles passaram pelo continente africano. Agora, eles estão em solo europeu e diante de uma "caçadora" doidinha para ter a cabeça de um leão entre seus troféus de parede. A louca escapada deles de um cassino em Monte Carlo, sob o comando do impagável pinguim Capitão, é surreal (exageradamente divertida) e dá o verdadeiro tom da história que mergulha de cabeça no absurdo para trazer um espetáculo de cor e efeitos 3D. E o circo está armado quando eles, literalmente, passam a fazer parte de um e começam a conviver com experientes artistas do picadeiro, saindo em turnê para bancar a viagem de volta pra casa, nos Estados Unidos.
Bem temperado com o mesmo bom humor dos anteriores, não será difícil para a garotada e os adultos darem boas risadas. Entre os motivos, sequências hilárias e diálogos igualmente inspirados, ironizando desde as leis trabalhistas na França até mesmo a eterna "guerra fria" entre russos e americanos, representados pelo tigre Vitale e o leão Alex. E se você estava sentindo falta do insano lêmure Julian, não se preocupe, ele está de volta mais demente do que nunca e dessa vez se apaixona por uma ursa enorme. O romance dos dois, aliás, é um caso (sem trocadilho) à parte, rende gargalhadas, lembranças (Pepe, o Gambá da Warner) e ainda um merchandising da motocicleta Ducatti. Só vendo para crer e (o melhor) rir. Para os ligados em detalhes e citações, o inseparável amiguinho de Julian, Maurice, canta a música tema de A Hora do Pesadelo e é possível enxergar na gangue de cachorros uma alusão às pinturas "caninas" de Cassius Coolidge. Mas nada supera os momentos de clímax multicolorido (ao oportuno som de "Firework" da cantora pop Katy Perry) remetendo ao clássico Fantasia (1940) da Disney. Assim, se no segundo filme essa turma viveu uma interessante crise de identidade, prepare-se para testemunhar uma nova e divertida maneira de ver a realidade.