Assistir a um filme em que o personagem principal tem um poder de cura que o torna imortal, já tira toda tensão que o espectador pode ter ao longo do filme. Porém eu fiquei impressionado com a tensão que o filme oferece e o drama, pois esse novo longa do Wolverine não repete os erros do passado, e foca mais no personagem do que na ação, além disso cria novas situações em coloca o herói em grande risco, fazendo com que o espectador se sinta preocupado com o que pode acontecer.
O filme segue a história de Logan/Wolverine (Hugh Jackman), que depois dos acontecimentos vividos com os X-men, vive em uma caverna e sendo atormentado pela sua amada Jean Grey (Famke Janssen). Porém a vida de Logan muda quando uma jovem chamada Yukio (Rila Fukushima) o convida para ir ao Japão, rever um conhecido que está a beira da morte mas deseja agradecer Logan por um dia tê-lo salvo. Porém ao chegar no Japão coisas estranhas começam a ocorrer ao redor Logan, e a situação começa a piorar quando seu poder de cura está anulado.
O roteiro de Marck Bomback e Scott Frank está ótimo, justamente por eles conferirem essa vulnerabilidade a Wolverine, e também por ser uma continuação direta de X-men O confronto final, faz com que a ideia de não imaginar o que irá acontecer, crie uma tensão no espectador que já conhece o fator de cura de Logan. E além disso cada um dos personagens são bem trabalhados e desenvolvidos, fazendo com que o espectador entenda seu papel ao longo da projeção.
E respeitando o bom roteiro, o diretor James Mangold consegue equilibrar o filme com bons diálogos e uma boa ação. E por falar em ação, que deveriam ser o ponto mais forte da trama, na verdade não foi o que mais me agradou ao longo da projeção, elas estão medianas mas eficazes, pois o diretor não consegue criar planos grandiosos, exceto pela sequência que se inicia dentro de um trem-bala e possui seu desfecho em cima dele, eu não me senti impressionado com as outras sequências.
Porém o mais interessante da trama é sim o que acontece ao Wolverine, pois durante as 2 horas de projeção notamos que o nosso herói é realmente afetado, e o diretor James Mangold consegue transmitir isso de uma forma bem interessante para o espectador. Além disso o drama que o nosso herói sofre pela morte da Jean Grey, confere um tom de humanismo ao herói com garras, algo que o ator Hugh Jackman transmite de forma mais que eficaz, o ator já está tão acostumado com o herói, que aqui ele me fez lembrar o pequeno e irritado Wolverine dos desenhos, aquele que desconfia de tudo e de todos, e além de tudo é raivoso como um animal, e Jackman consegue passar essa raiva automaticamente, além do físico do ator que realmente relembra o personagem dos quadrinhos.
Além de Jackman, o elenco secundário que em sua maioria é composto por atores japoneses, também estão muito bem em seus papéis, exceto pela jovem Rila Fukushima que em certos momentos da projeção me pareceu forçada, o que foi compensado pelo trabalho da atriz Tao Okamoto que interpreta Mariko (o par romântico de Logan), que transmite um ar de tristeza e mistério, e consegue convencer mais ainda em suas cenas com Jackman, pois enquanto Logan é um destruidor bruto, ela é mais cuidadosa e delicada. Enquanto isso o ator Hiroyuki Sanada que interpreta Shingen (pai de Mariko) demonstra tanta seriedade em seu papel, que em certos momentos cheguei a imaginar que o ator realmente fosse assim na realidade, porém falta um pouco de carisma para a atriz Svetlana Khodchenkova que interpreta a vilã Víbora.
Os efeitos especiais do filme foram muito bem trabalhados, desde o urso no início, até o grande Samurai de Prata, até mesmo as garras do Wolverine que me incomodaram muito no Wolverine Origens, aqui funcionaram de forma mais eficaz. Por outro lado o 3D do filme é dispensável, pois apenas dois planos aparecem em 3D, o primeiro é no início do filme que mostra o herói andando entre galhos que aparecem fora da tela, e outra cena é no terceiro ato, quando flocos de neve parecem sair de todos os lados.
E se o filme merece pontos pelo ótimo terceiro ato, que usa uma combinação de ação, com um vilão que parece ser indestrutível, colocando o nosso herói em cenas realmente tensas, e criando uma reviravolta que ninguém espera (mas sem prejudicar a trama, muito pelo contrário, pois mostra as motivações do vilão), também merece perder pontos pois acontece algo com Wolverine que apesar de interessante, foi resolvido de uma forma estranha, e que não colou (pelo menos para mim).
Por fim Wolverine Imortal, não é uma obra de arte, porém é um bom reinicio para a série, pois trabalha o drama de seus personagens, e coloca a ação nos pontos certos, trazendo de volta um grande herói que até então parecia adormecido. E o espectador que não seja apressado pois tem uma pequena cena após os créditos que deixará a todos animados.