Uma das finalidades do cinema, e do filme em si, é inspirar em que o assiste a ilusão, o fantástico, a fuga momentânea da realidade, visando o divertimento e as considerações sobre o filme. Os fâs dos filmes de James Bond e mesmo os não fãs, sempre esperavam dos filmes e do seu herói todas aquelas características, que propiciavam sonhos, e, mais ainda, o personagem James Bond, sempre viam retratrados com charme, infalibilidade, um pouco de cinismo e o acreditar na eterna luta do bem contra o mal. Nos filmes atuais do Agente 007, principalmente os da era Daniel Craig, simplesmente extirparam essas características do personagem, deixando-o na vala comum de quaisquer outros heróis que sempre, efêmeramente, o imitiram (vide Jason Bournie, entre outros), tirando-nos a magia dos seus filmes, que normalmente, pelo encanto das locações, o charme do heróis e até mesmo do "bandido", os veículos incríveis, as mulheres sedutoras e sensuais, o conhecimento sobre quase tudo, nos fazia sonhar e nos deliciar com cada cena do filme, que, para quem é fã do James Bond, continuam vivas na memória, quase que, automaticamente, nos fazendo assistir ao mesmo filme dezenas de vezes! O novo filme do agente da Rainha infelizmente e cheio de clichês, tendo um mau aproveitamento de grandes atores, como Javier Barden, caricaturalizado, com um misto do seu personagem no filme em que ganhou o oscar, com o personagem do Cristhopher Walken; um Daniel Craig, que nunca foi charmoso, de fato, tendo um desempenho atlético inconparável nas cenas, só; uma "M" retratada como uma mera burocrata e sem um pejo de sentimentalismo, e, ainda uma Moneypenny sem um pingo de malícia feminina. Tecnicamente o filme pode ser perfeito, mas, daqui a algum tempo, alguém vai se lembrar da música tema, de uma ou outra locação, qual era a bondgirl do filme? Dificilmente, porque os pontos de referência da serie, nesse filme, não existem, pontos de referência que sempre espelharam a magia do cinema, a magia dos filmes de James Bond.