DISCÍPULO DE FERRO
É interessante observar que depois de uma geração dogmática pelo sucesso que Batman: O Cavaleiro das Trevas ( The Dark Knight, 2008 ) e Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge ( The Dark Knight Rises, 2012 ), ainda ressurja das cinzas do sangue potencial do herói que salva e não se salva. É estranho, mas o modo como o (melo)drama tenha participado habilmente em toda uma nova geração de heróis que está se percorrendo pelos cinemas atuais. E é por esse batismo que se faz no corpo de um filme em nome da sagrada bilheteria em prol da mídia, que os heróis contemporâneos estão recorrendo.
É claro que é interessante que a capacidade de um herói seja julgada pelo mesmo, mas é do principal elemento das chamadas “novelas mexicanas” que esta sendo seguido neste cinema. O pior é que esse papo, já se converteu em discussões que pouco rende em, não concordância, mas em pontos que seriam melhores se não discutidos, tudo por que se vale mais na sociedade geral o contexto do filme, gratuitamente classificado como os famosos: “cults”; “diversão” e por outras milhares de categorias que no final se fundem nessa mesma divisão descabida.
É claro que a persona original de Tony Stark(Robert Downey Jr.) não iria parar de desistir de lutar, mesmo se estivesse do outro lado do mundo, sozinho. Mas a pretensão pede mais. É da partícula mais esquecida que Homem de Ferro 3 ( Iron Man 3,2013 ) se baseia, é de Bruce Wayne a Blake e finalmente de Tony Stark a Harley. Porém é do jogo das surpresas que aqui se trabalha, e acrescenta a essência do que o cinema tem de melhor, criar e ao mesmo tempo desconstruir diretamente ou indiretamente a realidade por meio da mentira.
Mesmo assim, Homem de Ferro 3 ( Iron Man 3,2013 ) continua com a mistura horrível entre o egocentrismo e humorístico da pessoa de Tony Stark criada através de Robert Downey Jr., como ocorreu com Jack Sparrow através de Johnny Depp, e a figura do drama que mesmo que substituída por futuras risadas, é a mostra da falta de objetividade da trama em se contornar em algum ritmo ou estética únicos ou múltiplos que se adequem, sendo ainda mais triste que no que ocorra no cinema de Black se repita ao que ocorre com o de Nolan, o aparato em prol do melodrama para constituir massas de heróis reais insinuando, para completar o desastre, o inimigo político, que graças à toda essa sátira soa gratuita.
Para interceptar o Mandarim(Ben Kingsley), Homem de Ferro 3 ( Iron Man 3,2013 ) então se torna o filme mais descaradamente pretensioso, ameaçando o medo nacionalista e dando o que as massas mais gostam, o aparato em prol da humanização e do melodrama decaído. Conservador, e feito para não ser discutido pela maioria, é de fato que nosso Tony Stark continua o mesmo, mas não mais a armadura que o segura e que em movimento já dogmático, não mais importa a graça ou a origem do sangue na veia espalhada pelo corpo e que realmente faz o herói.
O exercício reflexivo de tão engasgado goela abaixo, é provado pelo caráter de Tony Stark e Robert Downey Jr. que conjuntam e provam a inocência e “obrigação” empunhada para seguir Bruce Wayne, Christian Bale, sobretudo, há Christopher Nolan. O crime de quem recorre à patética situação de indecisão, a pura inocência. Do menino que sucede, da transparência de um artifício ridículo e pretensioso, do choque para cobrir a falta de alma na persona então recém-criada para um novo cinema contemporâneo e um novo cinema de heróis, onde para se sobressair evoca o plano que se repete semelhantemente ao cinema de Nolan e cia, o plano do herói frágil, reclamando até para Stan Lee, no caso, por que se sustenta a base de armaduras e não de um poder interior, como seus amigos, para finalmente se dissolver habilmente na escuridão, contar piadas e finalmente anunciar indiretamente sua volta.
Escrito por, Ricardo do Nascimento Bello e Silva