O medo é uma coisa que nos nos mantém sempre alerta. Só temos medo daquilo que possa nos ferir fisicamente ou mentalmente (através da nossa própria imaginação). Quando assistimos a um filme de terror e acontecem coisas pavorosas, logo ele nos pega, deixando a gente assustado junto com os personagens em evidência desse sentimento tão hostil. Outras pessoas tem prazer em sentir medo e se dispõem facilmente à toda adrenalina que ele causa, mostrando-se adeptas ao autoflagelo, à ambivalência. Sim, por que o medo confude e trás uma série de exageros e consequencias. Este é o estado do detetive Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio), rumo à uma investigação num tenebroso hospital localizado na tal ilha. A entrada de Teddy e seu parceiro Chuck Aule (Mark Ruffalo) entre a escura neblima à total imersão da ilha sob um clima espantoso, é muito bem montada. Sem contar a trilha sonora envolta de surrealismo, perfeitamente programada para a cena em destaque. Quando estes elementos são trazidos a tona, fica claro que estamos diante de um filme do mestre da sétima-arte contemporânea, mais precisamente Martin Scorsese, que trabalha minuciosamente para compilar esta trama recheada de surpresas. Embora o roteiro seja pretensioso, fica claro que Martin fez analogia à vários clássicos do suspense como Pássaros e O Iluminado. Também é notável a semelhança com Amigo Oculto e Os Outros - filmes que tem o mesmo desfecho surpreendente de Ilha do Medo. Leonardo DiCaprio faz do detetive um homem profundamente sentimental em relação à perda da mulher num incêndio, ele acredita piamente tratar-se de um crime cujo mentor está na ilha, mantido preso sob segurança máxima. Ele tem sonhos pertubadores com a ex-mulher e flashes de seu passado invadem nossa consciência, trasportando-nos para o envólucro de traumas do personagem. Nutrido pela compulsão de encontrar o assassino, ele persegue a ideia de que o hospital faz testes ilegais com os pacientes depois de encontrar com a mulher misteriosa, Rachel Solando (Emily Mortimer), escondida em uma gruta. Ela revela ser médica e conta as experiências macabras pela qual Teddy passará se não fugir daquele lugar. Mas como sair da ilha? Logo acreditamos no destino insólito do detetive, mas aos poucos a trama vai tomando outro rumo e percebemos então o estado de loucura que se encontra o personagem de DiCaprio, logo depois do diálogo (super clichê) com o dr. John Crawley (Ben Kingsley) que me lembrou muito o Sigmund Freud. Na verdade, Freud foi quem começou com tudo isso. Enfim, o filme é uma homenagem ás produções de terror e suspense e abrange muito bem o foco central que é o estado da loucura e da razão. Até onde podemos controlar nossa sanidade e o que nos faz agir insanamente? A frase final de Teddy é bem emblemática, mas levanta uma questão até que relevante, principlamente nos dias de hoje onde ser louco é normal. E se o filme dá medo? A resposta está na Ilha ...