O Leitor
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Sílvia Cristina A.
Sílvia Cristina A.

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5,0
Enviada em 8 de janeiro de 2013
O filme O leitor , do cineasta inglês Stephen Daldry , inspirado no best seller alemão homônimo , de Bernhard Schlink, é muito mais que um filme romântico. Ele é um filme verdadeiramente romântico. Diferentemente das milhares comédias açucaradas que transformam a intimidade em espetáculo , por meio de beijos aplaudidos por plateias de desconhecidos , O leitor devassa o amor através dos silêncios dos personagens. Remonta uma história entre dois amantes separados pelas circunstâncias , por meio de falas não pronunciadas , de imagens fragmentadas que exigem do espectador um olhar muito mais atencioso e sensível.
Nem tudo vem pronto e explicado neste filme que fala sobre o amor sob a perspectiva da culpa. Me parece que amor e culpa são dois temas realmente indissociáveis. Há quem pense que não existe amor sem culpa, sem ruptura , sem transgressão. O simples ato de amar pode ser considerado uma transgressão , pois nos faz rever valores , desmente nossas verdades , desorganiza as estruturas sociais. É uma bela bofetada bem no meio da cara de quem deseja ter tudo sob controle.
Como diria o cineasta espanhol Luis Buñuel , amor e revolta são as palavras mais revolucionárias que existem. Porém, O leitor não fala de uma culpa individual. Vai além dos sentimentos de Michael e Hanna e toma a dimensão da sociedade alemã , vinte anos após o término da Segunda Guerra Mundial. O amor parece algo proibido para um povo que participou de um genocídio. Tenho a impressão de que tanto o romance de Schlink como o filme de Daldry parecem redimir uma sociedade capaz de se entregar às mais ardentes paixões e aos mais profundos amores , mesmo em meio aos horrores de um período histórico tenebroso .
Depois de passar a vida assistindo a filmes sobre o holocausto, sempre me pareceu impossível um carrasco nazista ter se apaixonado ou ter sido capaz de um gesto verdadeiro de bondade e ternura. Não é apenas o amor que desmente as nossas verdades . O cinema e O leitor também desconstroem nossas crenças mais arraigadas, por meio de uma ex-carrasca nazista que se torna o grande amor da vida de um homem. Hanna , cúmplice da morte de 300 mulheres oficialmente , sem falar nas outras que conduziu para Auschwitz, é tão capaz de amar como qualquer outra mulher . Seu amor é desajeitado. Hanna é uma mulher rude , mas nem por isso desprovida de afetividade. Podemos ver a sua gentileza dura , logo em uma das primeiras cenas , quando ajuda Michael, adoecido na entrada de sua casa. O abraço que oferece ao garoto desconhecido e assustado tem a firmeza de quem é capaz de se solidarizar profundamente. Entretanto, em nome do dever e do cumprimento das regras , alguns anos antes , permitiu que 300 mulheres judias morressem queimadas. Hanna foge ao estereótipo do carrasco nazista , sádico e impiedoso. Ela participou de algo terrível que não conseguia compreender completamente, embora em um momento da trama , fique clara a ideia de seu entendimento e da inutilidade de sua culpa, por meio das frases “Não importa o que eu penso. Não importa o que eu sinto. Os mortos continuam mortos.”
A dor da perda transforma Michael , um garoto ingênuo e romântico, capaz de expressar seu amor despudoradamente , em um homem tragado pela solidão e pelo abandono . Depois de Hanna , nenhuma outra mulher foi capaz de preencher o vazio deixado em sua vida, nem mesmo a sua esposa e a sua filha, com quem ele se aproxima apenas no final da trama. Michael se distanciou de todos. Se distanciou dele mesmo.
O leitor quebra a dinâmica maniqueísta de mocinhos e vilãos. O amor da vida de Michael, um advogado culto, inteligente e bom caráter , é uma ex-carrasca nazista , 20 anos mais velha , analfabeta em uma sociedade letrada , em que não saber ler e escrever pode ser uma culpa tão grande e vergonhosa , quanto ter cometido um crime.
O leitor precisa ser entendido no contexto da Alemanha ocidental, pós-guerra. Alguns dos gestos , atitudes e não atitudes dos personagens , só tem significado para aquela sociedade , para aquela cultura que como qualquer outra sociedade e cultura tem os seus paradigmas. Podemos dizer que a grande prova de amor que Michael oferece a Hanna é uma não atitude , uma omissão. Ele não a ajuda a se livrar de uma condenação injusta , porém, preserva o seu segredo . É no silêncio mais uma vez que se refugia o amor em O leitor.
Se combater o analfabetismo é uma questão em processo em nosso país , o mesmo não acontece na Europa Central em que é inadmissível não saber ler e escrever. Para aqueles que se prenderem aos valores e verdades da nossa cultura , O leitor pode soar como inverossímil. Para quem nunca se questionou sobre os mecanismos do amor , o mesmo pode ocorrer. Será que sempre amamos o mais adequado a nós? Será que sempre amamos o mais valoroso, o mais altruísta , o mais belo, inteligente , culto e generoso? Mais que uma aula sobre um povo estigmatizado , é uma releitura sobre a dinâmica imprevisível do desejo.
Fábio F.
Fábio F.

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5,0
Enviada em 7 de agosto de 2013
“O Leitor” ( The Reader) é um filme multifacetado e pulsante do diretor Stephen Daldry ( o mesmo de “As Horas”). Baseado em livro de Bernhard Schlink, o longa se passa na Alemanha, logo após a Segunda Guerra.
No início,vemos Michael Berg (Ralph Fiennes, de “O Jardineiro Fiel”) recordando-se de sua juventude,quando, em 1958, aos quinze anos de idade, conheceu Hanna Schmitz (Kate Winslet, de “Titanic”, sempre impecável), uma mulher solitária, bem mais velha que ele, com quem começa a ter uma espécie de iniciação sexual. Daí em frente, ocorre o que parece ser um pacto: Michael lê trechos de livros para Hanna, já que ela gosta de ouvir leituras. Em troca, ela faz amor com ele, num ritual que, se considerarmos o filme como um todo, assemelha-se a um tipo de terapia recíproca, uma vez que cada um deles transparece ao outro e para nós, espectadores, a sua incompletude existencial. Entretanto, essa situação fica delicada com o passar do tempo, pois seu relacionamento estreita-se de forma crucial e irreversível, magoando a ambos e “redimindo-os” de seus conflitos pessoais através da companhia e do sexo.
Os dois acabam por se separar e, quando Michael está na faculdade de Direito, assiste ao julgamento de Hanna, acusada de participar dos horrores do campo de concentração de Auschwitz. A partir daí, a história entra na parte em que se emaranha nas buscas de respostas, valores, e na perturbação em que Michael fica, impotente diante daquela situação, que vem reabrir antigas feridas e pôr em questão tudo aquilo em que ele acredita(va) a respeito de suas próprias experiências de vida.
O desenrolar doloroso e sem perspectivas de um “final feliz” para os protagonistas, cada qual preso em sua própria teia de sofrimentos e vergonhas ancoradas no passado, mas que estão sempre vindo à tona, conduz a dois principais caminhos: Hanna enfrentando, afinal de contas, seu maior medo/vergonha e superando este desafio, mesmo que sua redenção se faça através da expiação pela morte. Já Michael avalia, ainda hesitante, a profundidade e a influência de seu passado no agora, numa perspectiva angustiante e com resquícios de remorso que o acompanhará para sempre. Tudo isso ocorre de forma arrebatadora e psicologicamente progressiva, sem precipitações ou lacunas.
Obviamente, faz-se necessário dizer algo acerca das características técnicas de uma obra tão ímpar. “O Leitor” foi indicado a cinco Oscars – inclusive os cobiçados “Melhor Filme” e “Melhor Diretor” - destacando-se com “Melhor atriz” - Kate Winslet, que também ficou excelente na maquiagem pesada de idade avançada, já no final da película. Stephen Daldry conduz o filme de forma afiada, oscilando entre a linha tênue da perturbação e da comoção, o que imprime à trama todo o impacto necessário, fazendo-nos refletir sobre a importância daquilo a que chamamos "verdade" e "moralidade", quando vemos, por exemplo, a postura resignada de Hanna ou a covardia sistemática de Michael,conforme ele amadurece e deixa para trás seu lado mais impulsivo.

A respeito do personagem Michael, certamente o ponto central do filme, já que este se estrutura em suas memórias (afinal de contas, ele é “o leitor”), há que se destacar interpretação de David Kross, que incorporou o jovem Michael muito melhor que Ralph Fiennes o fez como o Michael mais velho. Na verdade, Fiennes parece ser a única peça que não se alinhou ao contexto do filme; infelizmente ele não ficou bem no papel; não conseguimos enxergá-lo como tendo sido o jovem impulsivo que fora na primeira metade do filme, nem sua interpretação nos convence tanto como deveria. É difícil acreditar que o mesmo ator que brilhou com perfeição no papel do tirano Amon Goeth, de “A lista de Schindler”, não conseguiu executar uma função bem mais leve que aquela, embora também complexa. No final das contas, é difícil também saber se isso é uma falha do ator, Fiennes, ou do roteiro, que, em sua adaptação, deixou esta ponta solta, mas o fato é que fazer esse Michael maduro teria sido um desafio para qualquer ator. Kate Winslet, então, ao ganhar o Oscar e o Globo de Ouro por melhor atriz, dispensa quaisquer comentários a respeito de sua interpretação.
Quando termina “O Leitor”, uma projeção que perturba e intriga, ficam muitas questões a ser debatidas: o quanto a verdade ou a moralidade são fundamentais? Quem é autor da verdade? A sociedade é guiada por que valores? Até que ponto podemos intervir no curso dos eventos que se desencadeiam ao nosso redor? “O Leitor” não fornece respostas, uma das razões pelas quais ele é tão perturbador. Basicamente, ele nos questiona sobre aquilo a que nem nos damos ao trabalho de pensar. Fica a mensagem do pôster: "Resolva este mistério"; mensagem aplicada ao conteúdo do longa-metragem e às nossas próprias existências, tão vazias às vezes.
Paula S.
Paula S.

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5,0
Enviada em 4 de maio de 2016
Um filme muito foda!!!! Digno das indicações ao Oscar. O contexto em si é muito comovente, no começo pensamos que é uma daquelas histórias clichês de romance dramático, que conta o drama de um casal com diferenças de idade e que vai acabar tudo bem, porém o que não esperamos é que ao decorrer da trama há uma reviravolta, altos e baixos que faz o espectador se admirar e no final se surpreender. Esplêndido.
anônimo
Um visitante
5,0
Enviada em 9 de fevereiro de 2012
Maravilhoso! Mais um grande filme do aclamado Stephen Daldry, que soube aqui construir um cenário perfeito para o surgimento de uma história de amor formentada em pouco espaço de tempo, mas que deixou marcas em seus protagonistas e perpetua pelo resto de suas vidas, afetando o relacionamento com as pessoas que os circundam. Não somente a história de amor é tratada, mas também a natureza humana em um tema super delicado: as mortes causadas na Segunda Guerra Mundial, onde o diretor pode questionar os sentimentos e como as pessoas devem ser julgadas pelos seus atos, não importando se a pessoa é analfabeta e se tinha ciência plena do que fazia. Nossa vida é feita das atitudes, de nossas ações, sendo indiferente o grau de instrução das pessoas. As pessoas são más tendo ou não a instrução necessária. Fato é que todos temos o bem e o mal dentro de cada um de nós, o grande segredo é saber qual estrada pegar na jornada.

A bonita história de amor se desenvolve por muitos anos. Não há dúvida que afetou os dois profundamente, mas algumas atitudes colocam o espectador em dúvida se esse amor era tão profundo assim, como o fato dele não revelar ao júri o segredo de Hanna, do sentimento de pena que ele sentiu ao reencontrá-la anos mais tarde. As revelações no julgamento fizeram-no ter nojo de Hanna? Afinal o que sobrou dos sentimentos dele por ela ao final?

É um grande filme, que deixa algumas perguntas no ar na cabeça do espectador que podem ter interpretações distintas e é esse o grande mérito do filme: o poder de questionamento e de reflexão sobre as atitudes dos personagens e suas motivações para agirem como agiram. É sem dúvida um grande roteiro com uma narrativa não-cronológica muito interessante, a edição é ótima, assim como a fotografia, trilha sonora e direção de arte. Aplausis para Stephen Daldry e para o excelente elenco, especialmente é claro para Ralph Fiennes, David Kross e Kate Winslet, todos magníficos em cena.

Um grande filme sobre a natureza humana e sobre o amor. Para quem gosta de cinema "O Leitor" é imperdível!
Condessa de Monte Cristo
Condessa de Monte Cristo

10 seguidores 65 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 9 de fevereiro de 2012
...Simplesmente divino! Mas o final poderia ter sido feliz :(
Adriano Silva
Adriano Silva

1.614 seguidores 480 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 2 de abril de 2022
O Leitor (The Reader)

'O Leitor' é um drama romântico de 2008 dirigido por Stephen Daldry (Billy Elliot e As Horas) e escrito por David Hare, baseado no romance alemão (Der Vorleser) de 1995 de Bernhard Schlink. É estrelado por Kate Winslet, Ralph Fiennes e David Kross. Foi o último filme dos produtores Anthony Minghella e Sydney Pollack, que morreram antes de seu lançamento.

O filme conta a história de Michael Berg (David Kross / Ralph Fiennes), um advogado alemão que, aos 15 anos de idade, em 1958, mantém um relacionamento sexual com uma mulher mais velha, Hanna Schmitz (Kate Winslet). Ela desaparece apenas para ressurgir anos depois como um dos réus em um julgamento de crimes de guerra decorrentes de suas ações como guarda em um campo de concentração nazista. Michael percebe que Hanna está guardando um segredo pessoal que ela acredita ser pior do que seu passado nazista – um segredo que, se revelado, poderia ajudá-la no julgamento.

O longa é uma verdadeira pérola da sétima arte, pois temos um roteiro absurdamente complexo, criativo, niilista, cujo resultado é nos entregue de forma densa, pesada, pragmática, nos soando como uma obra peculiar, verdadeira, introspectiva, intragável e ao mesmo tempo emocionante. O filme nos faz pensarmos em diferentes temas, seja pelo relacionamento do casal, ou pelos crimes desumanos durante a segunda guerra, ou o problema visto socialmente pelo analfabetismo, mas ao tratar especificamente sobre o Holocausto, podemos refletir um pouco sobre o que seria ético, legal e/ou moral. Exatamente um dos pontos cruciais do roteiro de David Hare que o torna tão peculiar e coeso, o contraponto entre um romance regado à sexo, ou até mesmo o nascimento de uma linda história de amor entre duas pessoas com uma certa diferença de idade, com o confronto de um tema tão pesado e importante para a humanidade, o nazismo juntamente com o Holocausto nos campos de concentração de auschwitz (mesmo sem um aprofundamento em tal tema).

O primeiro ato do filme é de uma beleza e uma delicadeza genuína e muito peculiar, pois temos a descoberta do primeiro amor por parte de Michael (David Kross) e o desejo sexual pelo garoto por parte de Hanna. Stephen Daldry acerta muito bem ao nos relatar inúmeras cenas de nudez por parte da Kate e do David, mas de uma forma singular, artística, sem soar ofensiva ou apelativa, o mesmo vale para às várias cenas sexuais entre eles. Eu pude assistir estas cenas com um olhar mais ambíguo, mais romântico, sem me sentir ofendido ou desrespeitado, ou achar que a obra poderia levantar discussões com temas voltados para a pedofilia ou algo do tipo. Exatamente outro ponto muito bem acertado na obra de Stephen Daldry, a sua forma única, poética e artística em nos trazer a sua adaptação unicamente com a intenção voltada para a arte cinematográfica, sem levantar bandeiras entre o certo ou o errado, sem entrar em discursos sobre ética e moralismo, tanto pelo lado do romance e da nudez do casal em questão, quanto pelo posicionamento político e nazista levantado encima da protagonista Hanna. Pois alguns historiadores criticaram o filme por fazer de Hanna Schmitz um objeto de simpatia do público e acusaram os cineastas de revisionismo do Holocausto - o que discordo veementemente!

Kate Winslet (nossa eterna Rose DeWitt Bukater) é a verdadeira dona do filme!
Kate está no papel da sua vida, interpretando uma das melhores personagens de toda a sua carreira. Hanna levava a sua vida trabalhando normalmente até conhecer Michael, pois a partir daí a sua vida dá uma verdadeira virada, com o seu envolvimento sexual com o garoto e a sua paixão em ouvir às leituras que ele fazia para ela sempre antes do sexo. O nível de atuação e entrega de Kate na pele da Hanna chega a nos assustar, pois ela conseguia ir do cômico ao drama instantaneamente, nos mostrando suas múltiplas facetas, sua personalidade dramática, suas expressões de prazeres e de sofrimentos, ambas praticamente interligadas. Temos inúmeras cenas onde Kate entrega atuações em altíssimo nível: às próprias cenas eróticas, a cena da sua condenação, seu reencontro com Michael, entre várias outras.
Kate ganhou tudo que foi indicada naquele ano, fez a limpa em todas premiações, muito justo por sinal. Como por exemplo o próprio Oscar de Melhor Atriz, onde Kate concorria contra aquela atuação estupenda de Angelina Jolie por 'A Troca', mas realmente aquele ano era o ano da Kate Winslet - completamente perfeita!

David Kross (da obra-prima Cavalo de Guerra) fez um ótimo contraponto com a Kate Winslet, alcançou uma ótima química, ao ponto de nos fazer simpatizarmos pelo casal durante toda a trama. Michael é um garoto que estava se descobrindo e descobrindo todos os prazeres que a vida podia lhe oferecer, principalmente os prazeres sexuais e amorosos. Porém com o passar do tempo vieram grandes responsabilidades, ao ponto de lhe exigir medidas e decisões que o influenciaria pelo resto de sua vida. Uma baita atuação de David Kross, muito segura nos momentos sexuais e de nudez, bem dosada nos momentos mais românticos e mais dramáticos, conseguindo uma ótima atuação contracenando ao lado da Kate Winslet, o que não seria nada fácil, principalmente em cenas eróticas com uma atriz do calibre da Kate e quando se tem apenas 18 anos - David Kross mandou muito bem!

Ralph Fiennes (o inescrupuloso Amon Goeth de A Lista de Schindler) completa com sua atuação fina, prazerosa, rica, charmosa, um verdadeiro gentleman na arte de atuar. Fiennes deu vida ao Michael mais velho, um personagem visivelmente sofrível, resguardado, depressivo, com um ar introspectivo, complexo, misterioso, que guardava todos os seus segredos pra si. O último ato do filme é inteiramente do Ralph Fiennes, onde ele brilha e se destaca ao lado da Kate Winslet, juntos nos levaram às lágrimas, literalmente, principalmente na última cena com a Hanna e na última com sua filha, quando ele decide lhe contar toda a sua história de adolescência - um final simplesmente avassalador, daqueles que a gente jamais esquecerá.

Tecnicamente o longa de Stephen Daldry é uma das melhores obras-primas do cinema naquele ano!
Ouso a falar que em 'O Leitor' temos uma das melhores trilhas sonoras de Alberto Iglesias, que foi injustamente esnobada no Oscar daquele ano (é academia). Uma trilha sonora forte, pesada, incômoda, tensa, regada as mais belas e suaves melodias tiradas de pianos e violinos, o que definitivamente nos emocionava verdadeiramente, principalmente no último ato do filme - nota 10 para a obra-prima de Alberto Iglesias. A fotografia do mestre Roger Deakins e Chris Menges é completamente sublime a avassaladora. É incrível como a fotografia se sobressaia e acompanhava em todas as cenas, saltando aos nossos olhos (bela indicação ao Oscar). A direção de arte, cenografia, figurinos e maquiagens estão todos perfeitos e foram feitos com o maior cuidado e atenção possível, com um destaque maior para o trabalho de maquiagem e cabelo feito na Kate Winslet no último ato do filme, que a deixou praticamente irreconhecível e bem envelhecida. A direção de Stephen Daldry é muito bem ajustada e muito rica nos detalhes, com um trabalho de câmeras magistral, que só nos imergia em sua trama cada vez mais - indicação mais do que justa ao Oscar.

Na temporada de premiações de 2009 'O Leitor' foi bem reconhecido e bem indicado (mas poderia ter sido ainda melhor). O longa ganhou inúmeras indicações ao longo dos festivais, incluindo SAG's, Critics, BAFTA e Globo de Ouro. Além, é claro, do Oscar, onde esteve indicado em Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Diretor, Melhor Atriz e Melhor Filme, perdendo para 'Quem Quer Ser Um Milionário?', e levando apenas a estatueta da Kate Winslet.

Me recordo de ter assistido 'O Leitor' uma vez lá em 2009, logo após o Oscar, porém na época eu não tinha o olhar crítico e a visão que eu tenho hoje. Me lembro de ter gostado demais do filme e ter me emocionado com o último ato, e hoje não foi diferente, me emocionei exatamente na mesma parte. Hoje com um olhar mais crítico posso afirmar que 'O Leitor' é um belíssimo filme, uma pérola cinematográfica, uma obra de arte esplendorosa, pois o longa tem o dom de nos fazer sorrir, suspirar, paralisar, se emocionar e se encantar verdadeiramente. Um filme único, forte, pesado, incômodo, mas também leve, primoroso, emocionante e singular, que vai dos prazeres e das descobertas amorosas e sexuais até os temas mais fortes, importantes e significativos na história da humanidade - perfeito!
Difícil encontrar uma obra hoje em dia que nos faça aflorar um misto de sentimentos diferentes em apenas 2h.
5 estrela para esta obra-prima artística, poética e contemporânea do cinema moderno de Stephen Daldry! [01/04/2022]
Anne S
Anne S

13 seguidores 65 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 19 de julho de 2017
"O leitor" em questão, Ralph Fienes na idade adulta, frio, desperso. Muito bem interpretado pelo jovem ator que o construiu com intensidafe e vetfafe na adolescência. Mas, bem, o filme é de Kate Winslet. Algo aparentemente irrelevante ( para os dias de hoje) , fez Hanna se descontrolar e buscar fugir de sua realidade limitada, porém cativante, para desenvolver compulsões, modos de amenizar sua dor e só aparentemente se transformar numa mulher má. Numa sociedade como a da época, Hanna foi se suicidando aos poucos, pela vergonha. Adquiriu melancolia, e aquele viço obtido pelo relacionamento com o jovem se foi. História verdade, Kate Winslet muito merecidamente ganhadora do Oscar.
Neuton Gama
Neuton Gama

4 seguidores 24 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 9 de fevereiro de 2012
Um Filme excelente, já assisti 2 vezes. A atuação da Kate Winslet é excepcional. A trama do filme tem fatos históricos que nos fazem pensar sobre temas como A VIDA, JUSTIÇA SOCIAL E IGUALDADE ENTRE AS ETNIAS E CRENÇAS. O romance existente nesse filme não foi o ponto alto na minha opinião e sim o momento em que Hanna(a personagem de Kate Winslet) é julgada e condenada a prisão perpétua por supostamente liderar um grupo de Nazistas que matou mais de 300 mulheres na Alemanha. Dou nota 10 para esse grande filme.
Ariella P.
Ariella P.

4 seguidores 4 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 16 de junho de 2013
Filme classe A ! Que filme maravilhoso, tocante, intrigante, emocionante, perfeito ! Tem sensibilidade e é muito forte ao mesmo tempo. Está na minha lista de preferidos.
Mauricio Louz
Mauricio Louz

3 seguidores 58 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 25 de agosto de 2024
Filme Único atenção pois existem muitas cenas de sexo e no Days explícita porém o filme é sensacional emocionante e extremamente válido pra assistir.
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