“É preferível viver as mais belas aventuras ou desventuras com alguém que possa lhe fazer feliz do que viver sem um amor; uma pessoa que não ama, é uma pessoa que não vive..” Shakespeare Apaixonado conta a hístoria de um jovem, Shakespeare (Joseph Fiennes), que está prestes a escrever um dos seus maiores clássicos, o atemporal Romeu e Julieta, mas antes de conquistar seu grande objetivo, Shakespeare passa por diversas dificuldades, sendo entre todas um grande bloqueio criativo e acreditando que quando encontrar uma nova paixão, seu talento retornará.
Com diversas peças atrasadas, Shakespeare inicia a busca por atores, entre diversos aspirantes a atores, um se destaca. Um homem misterioso na qual Shakespeare nunca havia visto, que parece entender e realizar o que ele exatamente precisa em sua peça, que o encanta totalmente. Esse homem enigmático se trata de Viola de Lesseps (Gwyneth Paltrow), filha de burgueses muito influentes, apesar de estar predestinada a se casar com alguém quem nem sequer ama, seu maior e verdadeiro sonho é ser atriz, um sonho de difícil realização, já que nessa preconceituosa época, o teatro detinha diversas regras, incluindo a proibição de mulheres nas atuações, levando os homens não apenas interpretarem personagens do sexo masculino, mas como também do sexo feminino.
Logo para realizar seu sonho, Viola se disfarça de homem e adentra ao mundo teatral, ao tentar uma vaga na próxima grande peça de William Shakespeare. Entre muitas fugas e desencontros, após William descobrir a verdadeira identidade de Viola, os dois iniciam um intenso e impossível relacionamento, a tal paixão inspira Shakespeare a escrever a imortal história.
Como em sua peça, o relacionamento de William e Viola passa por diversos desafios, como o predestinado marido de Viola, Lorde Wessex (Colin Firth) que não a deixará fugir de seus braços tão facilmente, além de muitos problemas e complicações que podem fazer que
a peça de Romeu e Julieta não veja a luz do dia.
O longa não se caracteriza apenas pelo intenso romance vivido pelos personagens principais, além de uma história ao traço shakespeariano, mas muito pela fidelidade com a realidade. Como retradado na obra, a Inglaterra passava por uma nova fase teatral, o chamado “Teatro Elisabetano”, que se fundamentou nos teatros romanos e que proibiu temas religiosos, afora diversos regulamentos que retiravam a participação das mulheres em cena.
A referência mais explícita ao “Teatro Elisabetano” é a construção onde grande parte do filme se passa, entre atuações e "amassos" dos personagens, conhecemos como era o teatro da época, um grande local sem teto, com arquibancadas de cima a baixo e o palco no centro. Outra questão interessante a comentar é como a vida dos artistas é retratada, sempre buscando papéis, nem que como simples figurantes que vão perder a cabeça em alguma cena, sempre buscando um ‘lugar ao sol’. Para garantir seu lugar, muitos conseguiam entrar em trupes e como citado no próprio filme, alguns alcançaram a chance de estar em uma trupe licenciada pela própria Corte Real, já que a Rainha Elizabeth I era uma grande entusiasta do teatro, com ela levando o nome dessa nova era do teatro.
Até William Shakespeare tem embasamento na realidade, com sua mulher e seus filhos sendo citados em diversos momentos.
O filme não apenas desenvolve uma linha bem realista em relação a Shakespeare e o Teatro Elisabetano, esses são apenas detalhes que constroem e melhoram a narrativa. A narrativa mostra e apresenta seus personagens de maneira muito boa, destacando principalmente seus protagonistas, mostrando seus sonhos e ambições,. Porém em contraponto, os demais personagens não possuem um desenvolvimento apropriado, com muitos sendo bem superficiais, mas necessariamente eles não afetam a narrativa, já que o grande foco são seus apaixonados protagonistas.
A obra possui um elenco repleto de estrelas, mas que grande parte de seus atores ainda não havia garantido o estrelato, como por exemplo Ben Affeck e Geoffey Rush, o que se torna uma experiência interessante, ver como eles eram no início, antes de garantirem sua passagem pelo tapete vermelho.
Uma das melhores qualidades desse filme é sua bela trilha sonora e sua direção que nos guiam nos momentos românticos e emocionantes, uma trilha sonora que remete às clássicas peças da época e uma direção confortável de se assistir, bem aconchegante.
O maior foco está na relação dos personagens principais, Fiennes e Paltrow apresentam uma química incrível, como se um completasse o outro e vice-versa. Levando em conta que provavelmente a história real não aconteceu dessa maneira, o filme consegue fazer com que imaginemos que quando Shakespeare escreveu Romeu e Julieta, ele verdadeiramente estava apaixonado por alguém, graças a essa química admirável.
Em suma, Shakespeare Apaixonado pode ter seus defeitos, mas o romance protagonizado por Joseph Fiennes e Gwyneth Paltrow consegue ser poderoso o bastante para nos conduzir nessa hístoria, repleta de reimaginações e referências históricas. Mas não apenas o amor, mas a direção e a trilha sonora também são ferramentas que conduzem essa romântica narrativa.