Já vou logo avisando: este filme é muito ruim. Confesso que tinha uma grande expectativa em assistir a esse filme, mais pelo respeito que tenho por seu realizador Christopher Nolan do que pelo que havia visto da sinopse e no trailer. O bem sucedido e conceituado cineasta já fez filmes top de linha, como O Grande Truque e A Origem, além de ter feito um sucesso estrondoso com seus bons (embora supervalorizados) filmes da trilogia do Batman. E agora ele se aventura numa ficção científica espacial que deixa muito a desejar em vários aspectos. Se você procura um roteiro profundo e inteligente, esse filme passa longe disso. Ele tem diálogos simplórios no seu primeiro ato, com um didatismo irritante e artificial, carregando ainda um ritmo arrastado para não dizer bocejante. Quando os personagens principais vão se aventurar no espaço, o filme ganha força e melhora consideravelmente. Contudo, nos seus quinze minutos finais, quando se aproxima o desfecho e você percebe o quão ridículo tudo aquilo que está sendo mostrado é, surge aquela vontade quase incontrolável de você se levantar da cadeira e sair antes que termine, mas ao mesmo tempo você ainda mantém aquela esperança de que as coisas voltem a melhorar e que os erros grotescos sejam desfeitos, porém o que acontece na verdade é uma sucessão de equívocos tão absurdos quanto risíveis ou estapafúrdios. É tanto nonsense, que você fica abismado. Uma avalanche de situações pretensamente inteligentes, sobre existencialismo e filosofia baratas que não só não cola, como também abusa da paciência e bom senso do espectador. Trata-se de uma baboseira sem fim que não tem sentido, envolvendo relatividade, tempo e gravidade de uma maneira tão viajada que não convence um minuto sequer, mesmo sendo um filme que parece ter sido levado a sério, mas que definitivamente não se deve ser levado dessa forma. Enfim, sem entrar em detalhes, já vou dizendo de antemão, este filme tem um final bizarro, daqueles que dá vontade de pedir o dinheiro de volta na bilheteria. Os efeitos especiais também são muito fracos, pra não dizer ruins, e a longa duração de quase três horas faz o filme parecer interminável, se estendendo demais, à beira de tornar-se uma tortura. O único ponto positivo que me vem à mente em relação ao filme é seu elenco extraordinário. Mesmo não gostando do canastrão Mathew McConaughey, não há como não perceber seu amadurecimento a cada personagem que faz. E ainda temos nomes como Anne Hathaway, Michael Caine, Jessica Chastain, Matt Damon, John Lithgow, Wes Bentley, Casey Affleck, Ellen Burstyn e Topher Grace, só para citar os mais conhecidos, que dão muito bem a conta do recado, com destaque para Chastain, Hathaway e Caine, que quase sempre dão show e aqui não ficam devendo, mesmo tendo que por vezes discursar falas constrangedoras e/ou pueris. Não é um filme que recomendo. Definitivamente não vale a pena. Já consta na minha lista de maiores decepções do ano, além de certamente figurar na minha lista de piores filmes de 2014. Melhor assistir ao filme do Pelé...